Prof. João Beauclair Palestrante
DEA Intervenção Psicossocioeducativa Universidade de Vigo, Galícia,  Espanha
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Educando o ser humano: uma abordagem da Psicologia Humanista, de Zenita Cunha Guenther.
Resenha:
Educando o ser humano: uma abordagem da Psicologia Humanista.

Professor Ms.João Beauclair.

Educando o ser humano: uma abordagem da psicologia humanista, da Doutora Zenita Cunha Guenther, é um desses livros que, quando nos damos conta, lemos como quem ouve uma voz, pausada e leve, simples e com conceitos de assimilação e compreensão facilitados. Tal obra me chegou por intermédio de uma querida amiga que, a cada dia, aprendo a gostar mais. E um livro como esse é um presente para todos nós, que atuamos nas áreas de Educação, Saúde e Psicopedagogia.
Afirmo isso, pois sua leitura me permitiu rever conceitos, fazer novas sinapses e conexões, ampliar minha consciência sobre os limites e as possibilidades de meu fazer enquanto arte-educador, psicopedagogo e docente em cursos de graduação na área educacional e de pós-graduação em Psicopedagogia.  
A autora, com sua vivência de pesquisadora compromissada com a Psicologia Educacional, nesta obra faz uma síntese da trajetória percorrida e nos brinda com sérias reflexões sobre a linha e o pensamento humanista, colocando no cerne das discussões os fundamentos deste pensamento a partir do estudo, sério e rigoroso, das idéias de Abraham Maslow.
É na complexidade da pessoa humana que Zenita Guenther coloca nosso ponto de partida: somos seres em condições de globalidade, comunicabilidade, diversidade e multidimensionalidade. Apostando que o pensamento humanista é uma possível resposta aos dilemas que nosso tempo presente apresenta, a autora demonstra como é essencial a função da educação para a formação de sujeitos históricos, críticos e atuantes em seu tempo. Não se trata de uma leitura desvinculada da realidade: esta é o ponto de partida para inúmeras reflexões.
Num primeiro momento, temos a Psicologia Humanista da Educação, apresentada com zelo e conhecimento de causa, onde somos impulsionados a continuar acreditando que, enquanto educadores/as e profissionais da área de Saúde e Educação, é fundamental ampliar nossos horizontes e ter a crença consolidada de que precisamos avançar com esforço e determinação, para superar entraves, desfazer obstáculos que, na caminhada, todos e todas nós encontramos.
A seguir, com a competência de excelente escritora, elabora um conjunto de idéias para nos fazer entender o sistema aberto de pensamento, recorrendo a Skinner, Piaget, Maslow e Rogers para elucidar conceitos completares a idéia de sistema aberto e resgata, em nosso pensamento, idéias de Kurt Lewin sobre a construção do conhecimento e elabora algumas implicações filosóficas  sobre o tema.
Como não poderia deixar de fazer, na terceira parte do livro, Doutora Zenita elabora as Bases da Psicologia como ciência humana, tratando de temas tais como: percepção, significado e estímulo, além de definir com clareza o conceito de “campo”, essencial à nossa percepção do real. Elabora, ainda, um quadro geral sobre a Psicologia Humanista e discorre sobre a prática profissional em Psicologia Humanista, voltando nosso foco de visão para afirmar que a “essência do humanismo é a preocupação central com o ser humano”.  
Na parte quatro, apresenta e discute com maestria o autoconceito, relembrando que o “Eu é o centro de todas as realizações e de todas as ações da pessoa”  . Neste sentido, nos aponta como a força do autoconceito é importante para o comportamento humano e os papéis que o ambiente físico, os outros “significantes” (idéias e percepções adquiridas no espaço de nossas interações), a família, as experiências marcantes, instituições educacionais e os valores culturais desempenham no desenvolvimento do autoconceito.  
A seguir, no capítulo cinco, percepção e presença do outro é a dimensão da personalidade que nos é apresentada, salientando que a Psicologia Humanista da Educação busca na Psicologia Social suportes que a fundamentem. A autora trabalha com a dicotomia indivíduo-sociedade, mostrando-nos que a busca de equilíbrio deve ser tarefa nossa, em cada minuto do cotidiano. Lembra-nos, ainda, ao citar Boeke (1957), da visão cósmica e da posição do Homem no universo, sem se esquivar dos inúmeros desafios que precisamos enfrentar nas complexas relações interpessoais que vivenciamos em nossa vida em grupos. Para colaborar conosco neste sentido, trabalha com a formação da idéia de alteridade, demonstrando o desenvolvimento da noção do Outro em nossas vidas e discutindo interessantes idéias sobre as origens do preconceito, que tanto impossibilita nosso avançar evolutivo.    
Na sexta parte do livro, Zenita constrói um excelente quadro referencial da visão do mundo, destacando o quanto é necessário compreender nossas capacidades de percepção e interpretação dos padrões de estimulação tão vivos em nossa cotidianidade e tão presentes nos ambientes onde estamos inseridos. Elabora, ainda neste mesmo capítulo um conjunto de idéias vinculado as características sobre a pessoa humana (físicas, mentais, emocionais, sociais), revisitando estudos e mostrando o quanto questões sobre percepção sensorial e formação do quadro interno de referência do sujeito ainda precisam ser exploradas e pesquisadas. Família, escola,  profissão, comunidade, cultura e valores culturais, classe social, momento histórico são temas que utiliza para nos ensinar sobre como este quadro pessoal de referência é desenvolvido.
No capítulo sete, discute termos tais como ajustamento e desajustamento, adequação e resolução de necessidades, diferenciando a organização perceptual da pessoa e demonstrando como a autopercepção positiva colabora com nossos enfrentamentos nos mistérios de nossas vidas.
Já oitavo capítulo, Ciência da Educação, Psicologia da Educação, Fins da Educação, Motivação, Educação Humanista são os temas por este autora estudados e o que dá ainda mais destaque a esse trabalho é a interpretação que é dada às idéias de Abraham Maslow que, segundo Zenita, é um dos estudiosos da Psicologia Humanista que mais contribuições trouxe para a compreensão da área educacional, pois em suas investigações seu principal interesse esteve voltado à dimensão das necessidades e o conceito de funcionamento ótimo e auto-realização. Tais conceitos, ampliados pela autora com sua análise prudente e profunda, servem a construção de algumas considerações práticas, que fecha este capítulo desta excelente obra.
O processo de aprendizagem e seus múltiplos fatores é o tema da parte nove do livro, onde encontramos interessantes questionamentos sobre o ensinar e o aprender na contemporaneidade, enfatizados quando Doutora Zenita Guenther discorre sobre inteligência, comportamento, raciocínio e solução de problemas. Quando elabora um conjunto de idéias sobre aprendizagem no campo cognitivo, ressalta que do “ponto de vista humanista, o conceito de organização do que se deseja ensinar é ancorado na conceituação da organização cognitiva, assunto que tem sido desenvolvido por um grande número de estudiosos. Ausubel, Combs, Festinger, Rogers, Snygg, Brunner e Taba, entre outros, contribuíram para essa teoria geral”.   Ainda neste mesmo capítulo, enquanto psicóloga educacional, revisita o pensamento piagetiano apresentando interessantes idéias sobre a pessoa em situação de aprendizagem, processo esse que acreditamos ser válido apenas quando esta pertencer ao campo da significação, ou seja, o aprender deve ser movimento permanente e significante em nossas vidas.
No capítulo final, alicerçado no quadro de referência da linha de pensamento humanista, Zenita Guenther ressalta que o ato humano de educar é tarefa complexa e que, por isso mesmo, requer de cada um de nós, um posicionamento, uma postura, uma conduta. Conduz nossos pensares a uma série de reflexões sobre os maiores desafios e problemas a serem enfrentados por educadores com orientação humanista, vinculando-os ao fazer de cada um de nós, comprometidos com a formação de professores, seja ela inicial ou continuada. Amplia nosso olhar para a questão da formação de professores dentro de um pensamento humanista, partindo do conceito do Eu como instrumento do trabalho e elaborando um conjunto de princípios onde o instrumentalização e a formação pessoal de cada um de nós devem ser consideradas. Revela, com aguçada visão, pontos centrais para a pesquisa em Educação Humanista, concluindo que o pensamento humanista não facilitou a tarefa educativa, mas que pode nos fornecer outros referenciais, mais verdadeiros, pois é na pessoa humana de cada educando que devemos concentrar esforços, pois enquanto educadores devemos continuar a caminhada, acreditando em nossa colaboração para a construção de um mundo melhor.  Um livro de grande valia e de significativas aprendizagens. Assim como eu aprendi muito com sua leitura, acredito que também você, amigo/a leitor/a com ele também aprenderá.            
  
GUENTHER, Zenita Cunha.Educando o ser humano: uma abordagem da Psicologia humanista. Campinas, São Paulo: Mercado das Letras, Lavras, Minas Gerais, Universidade Federal de Lavras, 1997.
Joao Beauclair
Enviado por Joao Beauclair em 19/09/2006
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