Prof. João Beauclair Palestrante
DEA Intervenção Psicossocioeducativa Universidade de Vigo, Galícia,  Espanha
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Textos

COMO IDENTIFICAR AS HABILIDADES LEITORAS
COMO IDENTIFICAR AS HABILIDADES LEITORAS
Vicente Martins
Há uma idéia ou equívoco, fruto de um senso comum, de que tudo que vem
do setor público não presta. Isso não é verdade. É necessário que
tenhamos senso, apenas senso no tocante à coisa pública, que pertence, pois,
a todos que fazem a sociedade. Não se pode generalizar uma crítica
sobre os conflitos de gestão governamental com o que ocorre no interior
dos serviços e equipamentos sociais. A educação e os que fazem a sua
gestão ainda não são o que há de melhor no Brasil e no mundo.
Há iniciativas interessantes e realmente inspiradoras em algumas das
ações dos governos federal, estadual e municipal.. Refiro-me  aqui ao
ente federal e  às iniciativas do MEC (Ministério da Educação e Cultura),
através do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), em
particular.  Realmente, é preciso bom senso para não se generalizar ilusões
de ótica ou juízos equivocados sobre os programas em prol da melhoria da
qualidade de ensino em nosso País. Um bom exemplo é a experiência do
Prova Brasil, no meu entendimento, mais do que uma prova, uma ferramenta
educacional preciosa e de grande utilidade para o diagnóstico das
dificuldades em leitura, na escola. Quando me pedem um diagnóstico das
dificuldades leitoras, proponho, sempre, as ferramentas de observação e
análise do Prova Brasil ou do antigo, mas, ainda, não sepultado SAEB
(Sistema de Avaliação da Educação Básica).
O Prova Brasil,  levada a efeito, periodicamente, pelo MEC,  com a
participação de escolas públicas, municipais e estaduais, identifica as
habilidades leitoras das crianças e jovens da educação básica e seus
descritores (habilidades e competências requeridas aos alunos no campo do
ensino da língua materna) podem ser parâmetros de observação de
determinado aluno, turma, ou mesmo a escola. É uma prova, enfim, que nos diz, em
forma de protocolo de observação, por nível de competência, como está
desenvolvimento capacidade de aprendizagem do aluno, através da
leitura, escrita e cálculo. É, em substância, um diagnóstico seguro sobre o
nível de aprendizado de leitura dos alunos da educação básica.
A iniciativa governamental, o Prova Brasil, cumprindo um desiderato da
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei 9.394/96, foi
idealizado para produzir informações sobre o ensino oferecido por
município e escola, individualmente, com o objetivo de auxiliar os governantes
nas decisões e no direcionamento de recursos técnicos e financeiros,
assim como a comunidade escolar no estabelecimento de metas e implantação
de ações pedagógicas e administrativas, visando à melhoria da
qualidade do ensino. Para os docentes, um mapa importante para guiar uma
instrução direcionada para a qualidade do ensino e garantir, pois, a
aprendizagem dos conteúdos, competências e habilidades curriculares.

No tocante à prova de Língua Portuguesa (com foco em leitura), o que
nos interessa no presente artigo, é dizer que o instrumento avaliativo é
simples e muito objetivo:  os alunos devem responder a questões
  tecnicamente elaboradas, em níveis de dificuldades crescentes,  a partir do
que está previsto para aquisição e desenvolvimento de habilidades e
competências nas séries da educação escolar, em seus currículos escolares,
em todas as unidades da Federação e, ainda, nas recomendações dos
Parâmetros Curriculares Nacionais.
Além das provas de Língua Portuguesa e Matemática, os alunos respondem
a um questionário que coleta informações sobre seu contexto social,
econômico e cultural. O questionário ilumina ainda mais os dados da
realidade: o que os alunos apresentam como resultados de sua real
aprendizagem decorre das suas condições de vida, de moradia, da oferta de ensino
em sua escola? Buscar a resposta é um desafio prazeroso para quem sabe o
valor de se avaliar os alunos a partir das práticas sociais.

Para nós educadores, o Prova Brasil, inspirado na objetividade,
inteligência e  engenhosidade do SAEB, de natureza oficial (ou, quem sabe, de
caráter estatal), é inspirador para docentes e gestores educacionais
tanto de escolas públicas como escolas privadas. A matriz de língua
portuguesa, por exemplo, focaliza o processo leitor, especialmente a
compreensão leitora, e, mais do que uma simples “prova de verificação de
rendimento”, o Prova Brasil é de grande utilidade para o diagnóstico dos
problemas de leitura em sala de aula ou na escola, como um todo.

O Prova Brasil não é um Provão, uma prova para meter medo e pavor nas
pessoas, e sim, é uma salutar provocação para aqueles que fazem educação
em nosso Pais e sabem que as dificuldades, aflições, inquietações, no
campo educacional, são muitos e de natureza diversa, mas educar é
cotidianamente aceitar o desafio de formar crianças, jovens e adultos para a
cidadania e para o desenvolvimento humano, disposição, pois, que põe à
prova a crença pedagógica, a  força moral, a fé religiosa, as
experiências docentes e as convicções ou todas as formas de senso, daquilo que
consideramos certo ou errado na formação escolar.
A partir da matriz descritora de Língua Portuguesa, podemos observar, à
luz das ciências cognitivas, quais os níveis de dificuldades leitoras
e quais são, também, especificamente, para cada domínio ou competência
em leitura, as habilidades leitoras requeridas aos alunos do ensino
fundamental e ensino médio, descritores importantes para uma exigência de
um ensino de leitura eficaz e eficiente, na rede escolar de ensino, mas
com garantia  de qualidade e com explícita finalidade emancipatória,
uma vez que só a leitura, a escrita e o cálculo podem favorecer o
desenvolvimento da capacidade de aprender. Para maiores detalhamento das
diretrizes governamentais sobre o Provão, é interessante acessar o site do
INEP, no seguinte endereço:
http://www.inep.gov.br/basica/saeb/prova_brasil/.
Competências leitoras Habilidades cognitivas
Procedimentos de Leitura – Emprego de estratégias para localizar
informações explícitas e inferir informações implícitas em um texto.
Implicações do Suporte, do Gênero ou do Enunciador na Compreensão do
Texto – Interpretação de gêneros textuais variados – veiculados em
diferentes suportes, como jornais, revistas, livros didáticos ou literários –
e identificação da finalidade de um texto em função de suas
características, como o conteúdo, a utilização ou não de recursos gráficos e o
estilo de linguagem.
Relação entre Textos - Identificação, comparação e análise de idéias ou
abordagens sobre um mesmo fato ou tema expresso em textos de gêneros
variados, produzidos e veiculados em distintos contextos históricos,
sociais e culturais.
Coerência e Coesão no Processamento do Texto - Identificação de
elementos que colaboram para a construção da seqüência lógica entre as idéias
e permitem estabelecer relações entre as partes de um texto.
Relações entre Recursos Expressivos e Efeitos de Sentido - Construção e
antecipação de significados a partir de recursos expressivos, como
ortografia, pontuação, ironia, humor e outras notações, que possibilitam
uma leitura para além dos elementos evidentes na superfície do texto.
Variação Lingüística - Reconhecimento das marcas lingüísticas que
permitem identificar o locutor e o interlocutor no texto, compreender os
enunciados e avaliar sua adequação às diferentes situações de interação


HABILIDADES LEITORAS REQUERIDAS PARA ALUNOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
(Descrição dos Níveis da Escala )
Nível: 125
A partir de textos curtos, como contos infantis, histórias em
quadrinhos e convites, os alunos da 4ª e da 8ª séries:
(   ) localizam informações explícitas que completam literalmente o
enunciado da questão;
(   ) inferem informações implícitas;
(   ) reconhecem elementos como o personagem principal;
(   ) interpretam o texto com auxílio de elementos não-verbais;
(   ) identificam a finalidade do texto;
(   ) estabelecem relação de causa e conseqüência, em textos verbais e
não-verbais; e
(   ) conhecem expressões próprias da linguagem coloquial.
Nível: 150
Além das habilidades anteriormente citadas, neste nível, os alunos da
4ª e da 8ª séries:
(   ) localizam informações explícitas em textos narrativos mais
longos, em textos poéticos, informativos e em anúncio de classificados;
(   ) localizam informações explícitas em situações mais complexas,
por exemplo, requerendo a seleção e a comparação de dados do texto;
(   ) inferem o sentido de palavra em texto poético (cantiga popular);

(   ) inferem informações, identificando o comportamento e os traços
de personalidade de uma determinada personagem a partir de texto do
gênero conto de média extensão, de texto não-verbal ou expositivo curto;
(   ) identificam o tema de um texto expositivo longo e de um texto
informativo simples;
(   ) identificam o conflito gerador de um conto de média extensão;
(   ) identificam marcas lingüísticas que evidenciam os elementos que
compõem uma narrativa (conto de longa extensão); e
(   ) interpretam textos com material gráfico diverso e com auxílio de
elementos não-verbais em histórias em quadrinhos, tirinhas e poemas,
identificando características e ações dos personagens
Nível: 175
Este nível é constituído por narrativas mais complexas e incorporam
novas tipologias textuais (ex.: matérias de jornal, textos enciclopédicos,
poemas longos e prosa poética). Nele, os alunos da 4ª e da 8ª séries:
(   ) localizam informações explícitas, a partir da reprodução das
idéias de um trecho do texto;
(   ) inferem o sentido de uma expressão, mesmo na ausência do
discurso direto;
(   ) inferem informações que tratam, por exemplo, de sentimentos,
impressões e características pessoais das personagens, em textos verbais e
não-verbais;
(   ) interpretam histórias em quadrinhos de maior complexidade
temática, reconhecendo a ordem em que os fatos são narrados;
(   ) identificam a finalidade de um texto jornalístico;
(   ) localizam informações explícitas, identificando as diferenças
entre textos da mesma tipologia (convite);
(   ) reconhecem elementos que compõem uma narrativa com temática e
vocabulário complexos (a solução do conflito e o narrador);
(   ) identificam o efeito de sentido produzido pelo uso da pontuação;

(   ) distinguem efeitos de humor e o significado de uma palavra pouco
usual;
(   ) identificam o emprego adequado de homonímias;
(   ) identificam as marcas lingüísticas que diferenciam o estilo de
linguagem em textos de gêneros distintos; e
(   ) reconhecem as relações semânticas expressas por advérbios ou
locuções adverbiais e por verbos.
Nível: 200
A partir de anedotas, fábulas e textos com linguagem gráfica pouco
usual, narrativos complexos, poéticos, informativos longos ou com
informação científica, os alunos da 4ª e da 8ª séries:
(   ) selecionam entre informações explícitas e implícitas as
correspondentes a um personagem;
(   ) inferem o sentido de uma expressão metafórica e o efeito de
sentido de uma onomatopéia;
(   ) inferem a intenção implícita na fala de personagens,
identificando o desfecho do conflito, a organização temporal da narrativa e o tema
de um poema;
(   ) distinguem o fato da opinião relativa a ele e identificam a
finalidade de um texto informativo longo;
(   ) estabelecem relações entre partes de um texto pela identificação
de substituições pronominais ou lexicais;
(   ) reconhecem diferenças no tratamento dado ao mesmo tema em textos
distintos;
(   ) estabelecem relação de causa e conseqüência explícita entre
partes e elementos em textos verbais e não-verbais de diferentes gêneros;
(   ) identificam os efeitos de sentido e humor decorrentes do uso dos
sentidos literal e conotativo das palavras e de notações gráficas; e
(   ) identificam a finalidade de um texto informativo longo e de
estrutura complexa, característico de publicações didáticas
Nível: 225
Os alunos da 4ª e da 8ª séries:
• distinguem o sentido metafórico do literal de uma expressão;
• localizam a informação principal;
• localizam informação em texto instrucional de vocabulário complexo;
• identificam a finalidade de um texto instrucional, com linguagem
pouco usual e com a presença de imagens associadas à escrita;
• inferem o sentido de uma expressão em textos longos com estruturas
temática e lexical complexas (carta e história em quadrinhos);
• estabelecem relação entre as partes de um texto, pelo uso do
\"porque\" como conjunção causal; e
• identificam a relação lógico-discursiva marcada por locução adverbial
ou conjunção comparativa.
Os alunos da 8ª série, neste nível, são capazes ainda de:
(   ) localizar informações em textos narrativos com traços
descritivos que expressam sentimentos subjetivos e opinião;
(   ) identificar o tema de textos narrativos, argumentativos e
poéticos de conteúdo complexo; e
(   ) identificar a tese e os argumentos que a defendem em textos
argumentativos.
Nível: 250

Utilizando como base a variedade textual já descrita, neste nível, os
alunos da 4ª e da 8ª séries:
(   ) localizam informações em paráfrases, a partir de texto
expositivo extenso e com elevada complexidade vocabular;
(   ) identificam a intenção do autor em uma história em quadrinhos;
(   ) depreendem relações de causa e conseqüência implícitas no texto;

(   ) identificam a finalidade de uma fábula, demonstrando apurada
capacidade de síntese;
(   ) identificam a finalidade de textos humorísticos (anedotas),
distinguindo efeitos de humor mais sutis;
(   ) estabelecem relação de sinonímia entre uma expressão vocabular e
uma palavra; e
(   ) identificam relação lógico-discursiva marcada por locução
adverbial de lugar, conjunção temporal ou advérbio de negação, em contos.
Os alunos da 8ª série conseguem ainda:
(   ) inferir informação a partir de um julgamento em textos narrativos
longos;
(   ) identificar as diferentes intenções em textos de uma mesma
tipologia e que tratam do mesmo tema;
(   ) identificar a tese de textos argumentativos, com linguagem
informal e inserção de trechos narrativos;
(   ) identificar a relação entre um pronome oblíquo ou demonstrativo e
uma idéia; e
(   ) reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso de recursos
morfossintáticos.
Nível: 275
Na 4ª e na 8ª séries, os alunos:
• identificam relação lógico-discursiva marcada por locução adverbial
de lugar, advérbio de tempo ou termos comparativos em textos narrativos
longos, com temática e vocabulário complexos;
• diferenciam a parte principal das secundárias em texto informativo
que recorre à exemplificação; e
Os alunos da 8ª série são capazes de:
(   ) inferir informações implícitas em textos poéticos subjetivos,
textos argumentativos com intenção irônica, fragmento de narrativa
literária clássica, versão modernizada de fábula e histórias em quadrinhos;
(   ) interpretar textos com linguagem verbal e não-verbal, inferindo
informações marcadas por metáforas;
(   ) reconhecer diferentes opiniões sobre um fato, em um mesmo texto;

(   ) identificar a tese com base na compreensão global de artigo
jornalístico cujo título, em forma de pergunta, aponta para a tese;
(   ) identificar opiniões expressas por adjetivos em textos
informativos e opinião de personagem em crônica narrativa de memórias;
(   ) identificar diferentes estratégias que contribuem para a
continuidade do texto (ex.: anáforas ou pronomes relativos, demonstrativos ou
oblíquos distanciados de seus referentes);
(   ) reconhecer a paráfrase de uma relação lógico-discursiva;
(   ) reconhecer o efeito de sentido da utilização de um campo
semântico composto por adjetivos em gradação, com função argumentativa; e
(   ) reconhecer o efeito de sentido do uso de recursos ortográficos
(ex.: sufixo diminutivo).
Nível: 300
Os alunos da 4ª e da 8ª séries:
• identificam marcas lingüísticas que evidenciam o locutor e o
interlocutor do texto, caracterizadas por expressões idiomáticas.
Os alunos da 8ª série:
(   ) reconhecem o efeito de sentido causado pelo uso de recursos
gráficos em textos poéticos de organização sintática complexa;
(   ) identificam efeitos de sentido decorrentes do uso de aspas;
(   ) identificam, em textos com narrativa fantástica, o ponto de vista
do autor;
(   ) reconhecem as intenções do uso de gírias e expressões coloquiais;

(   ) reconhecem relações entre partes de um texto pela substituição de
termos e expressões por palavras pouco comuns;
(   ) identificam a tese de textos informativos e argumentativos que
defendem o senso comum com função metalingüística;
(   ) identificam, em reportagem, argumento que justifica a tese
contrária ao senso comum;
(   ) reconhecem relações de causa e conseqüência em textos com termos
e padrões sintáticos pouco usuais;
(   ) identificam efeito de humor provocado por ambigüidade de sentido
de palavra ou expressão em textos com linguagem verbal e não-verbal e
em narrativas humorísticas; e
(   ) identificam os recursos morfossintáticos que agregam musicalidade
a um texto poético.
Nível: 325
Além de todas as habilidades descritas nos níveis anteriores, os alunos
da 8ª série, neste nível:
(   ) identificam informações explícitas em texto dissertativo
argumentativo, com alta complexidade lingüística;
(   ) inferem o sentido de uma palavra ou expressão em texto
jornalístico de divulgação científica, em texto literário e em texto
publicitário;
(   ) inferem o sentido de uma expressão em texto informativo com
estrutura sintática no subjuntivo e vocábulo não-usual;
(   ) identificam a opinião de um entre vários personagens, expressa
por meio de adjetivos, em textos narrativos;
(   ) identificam opiniões em textos que misturam descrições, análises
e opiniões;
(   ) interpretam tabela a partir da comparação entre informações;
(   ) reconhecem, por inferência, a relação de causa e conseqüência
entre as partes de um texto;
(   ) reconhecem a relação lógico-discursiva estabelecida por
conjunções e preposições argumentativas;
(   ) identificam a tese de textos argumentativos com temática muito
próxima da realidade dos alunos, o que exige um distanciamento entre a
posição do autor e a do leitor;
(   ) identificam marcas de coloquialidade em textos literários que
usam a variação lingüística como recurso estilístico; e
(   ) reconhecem o efeito de sentido decorrente do uso de gíria, de
linguagem figurada e outras expressões em textos argumentativos e de
linguagem culta.
Nível 350
  (   ) superdotado

Se observarmos cada um dos itens acima da matriz de língua portuguesa,
veremos que é uma questão de bom  senso e não de senso comum a
constatação da validade  deste instrumento governamental na verificação no
aprendizado  ou não-aprendizado da leitura das crianças.

Se eu fosse filósofo, diria, a respeito dessa questão, que  quando
somos orientados apenas pelo senso comum, temos opiniões, idéias e
concepções que, prevalecendo em um determinado contexto social, se impõem como
naturais e necessárias, mas não evocam, de nossa memória histórica e
social, reflexões ou questionamentos maduros e críticos. É insofismável
que o Prova Brasil atravessa o liame do senso comum.

Conhecer bem o instrumento de avaliação de aprendizagem, que é o Prova
Brasil, e, também saber como aplicar seus procedimentos em nossa
escola, parece-me, decididamente, que nos leva um senso prático e este, por
sua vez, leva-nos a um engajamento educacional e não a  um atrelamento
político das iniciativas de governo, e assim, como quero aqui salientar,
conduz-nos à formação de um senso crítico e do exercício do bom senso.

Bom senso, como dizem os filósofos, é a capacidade, poder ou aptidão de
distinguir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o bem do mal, em
questões corriqueiras, que não careçam de soluções técnicas, científicas ou
não exijam raciocínio elaborado. Mais do que uma questão de bom senso,
avaliar a  importância de aplicar o Prova Brasil na rede pública de
ensino e, posteriormente, nas instituições privadas de ensino, é, na
verdade, um exercício de senso crítico, uma vez que passamos a apreciar e
julgar, com ponderação e discernimento, as coisas, sejam públicas ou
privadas;

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do
Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. E-mail: vicente.martins@uol.com.br
Joao Beauclair
Enviado por Joao Beauclair em 28/05/2008
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